ZAIBATSU.

Grupos industriais e financeiros que se organizaram como conglomerados, atingindo grande tamanho e poder na economia japonesa entre a Era Meiji (1868-1912) e o final da Segunda Guerra Mundial. Embora o Zaibatsu tenha sido dissolvido pelas forças de ocupação norte-americanas, a nova organização de conglomerados que surgiu em seu lugar — o Keiretsu — é considerada a verdadeira sucessora do Zaibatsu, apesar de seu poder ser consideravelmente menor.

O termo Zaibatsu não é muito preciso, mas sua raiz etimológica parece vir do significado das duas palavras que o constituem: zai, que significa “riqueza”, e batsu, que significa tanto “grupo” quanto “estado”. Originalmente, o termo estava relacionado com a política, designando a elite mais rica do país, mas depois da Primeira Guerra Mundial, seu significado passou a relacionar-se com a organização de conglomerados que enfeixavam em suas mãos grande quantidade de riqueza. Do ponto de vista econômico e empresarial, o termo também traz algumas ambigüidades.

Todas as grandes organizações econômicas eram Zaibatsu, ou apenas aquelas controladas pelas famílias que as tinham fundado? Entre os comentaristas japoneses existe um certo consenso em admitir que, até o final da Segunda Guerra Mundial, apenas os conglomerados Mitsui, Mitsubishi, Sumimoto e Yasuda eram Zaibatsu.

Esses quatro conglomerados detinham grande poder e, durante a Era Meiji, tinham grande influência sobre o governo e obtinham deste vantagens e favores. Depois da Segunda Guerra Mundial, as forças de ocupação incluíram mais seis conglomerados na classificação de Zaibatsu: Nissan, Asano, Furukawa, Okura, Nakajima e Nomura.

Em 1945, esses conglomerados haviam alcançado dimensões extraordinariamente grandes. Por exemplo, embora não houvesse estatísticas muito confiáveis, a Mitsui reunia cerca de trezentas corporações e a Mitsubishi, cerca de 250. E o capital dos quatro conglomerados que constituíam Zaibatsu representava, no final da guerra, cerca de 25% do total do capital do Japão.

Na medida em que essas empresas e seus proprietários e diretores foram identificados com o expansionismo japonês e o caráter bélico de seu governo, uma das primeiras preocupações das forças aliadas, especialmente dos Estados Unidos, mesmo antes do final da guerra, foi dissolver os Zaibatsu e substituir o grupo dirigente das corporações e dos conglomerados.

Quando se tornou conhecido no Japão que as forças de ocupação comandadas pelo general MacArthur iriam exigir a dissolução dos Zaibatsu, Yasuda se antecipou e propôs um plano de dissolução de seu próprio conglomerado, que ficou conhecido como Plano Yasuda; os outros três conglomerados seguiram-lhe o exemplo. De acordo com o Plano Yasuda, as ações das quatro empresas holding dos quatro grupos seriam vendidas ao público, e os diretores desses grupos pediriam demissão de seus cargos, deixando de ter qualquer influência na administração dessas empresas.

Além disso, os membros das famílias que controlavam os Zaibatsu também se comprometiam a deixar todos os postos de comando das corporações e dos conglomerados, fossem eles do âmbito comercial, financeiro, ou industrial.

O Plano Yasuda foi aceito pelo general MacArthur, embora as compensações financeiras às famílias proprietárias das ações fossem feitas pelo valor destas, deduzidas as despesas financeiras, mas em dez anos, por meio de títulos inegociáveis.

Não obstante tal compensação formalmente pudesse ser considerada generosa com aqueles que haviam colaborado com uma guerra feroz contra os Estados Unidos, o processo inflacionário do pós-guerra no Japão se encarregou de transformar uma substancial indenização em quase um confisco.

Além disso, o general MacArthur pressionou o governo japonês a aprovar uma lei antitruste que mantivesse a economia japonesa desconcentrada. Isso de fato aconteceu em abril de 1947 (Lei de Proibição dos Monopólios e Métodos de Preservação do Livre Comércio). Um dos dispositivos mais importantes dessa lei foi a proibição das holdings, o que era o fundamental da estrutura dos Zaibatsu. Embora essas medidas de dissolução dos Zaibatsu e da depuração dos quadros dirigentes de suas corporações e conglomerados tenham sido muito criticadas pelos japoneses, hoje muitos reconhecem que a iniciativa, estimulando a concorrência entre as empresas, isto é, eliminando em grande medida a concentração do capital, foi um dos elementos decisivos para o intenso crescimento da economia japonesa no pós-guerra.

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